


Todos os dias o menino ficava na soleira da porta com as duas mãos no queixo, cotovelos nos joelhos, pensamento longe e olhar tristonho.
- "Pedrinho, entra, filho!"
- "Já vou mãe. Estou esperando o papai voltar."
Dona Amélia sabia que ele não voltaria, pois recebera um aviso das Forças Armadas informando que seu marido morrera em combate. Já havia dito ao filho sobre esse aviso, mas o garoto insistia em esperar.
- "Mãe, eu não sei explicar, mas sinto que papai não morreu."
A intuição ficava cada vez mais forte quando o assunto era o pai.
Um dia de madrugada, Pedrinho acordou assustado e gritou pela mãe. Dona Amélia foi depressa ver o que o filho queria. Ele pediu para a mãe acender todas as luzes da casa e esperar com ele a volta de seu pai. Dona Amélia já andava sem paciência com essa ideia fixa do menino. Foi então que no auge da repreensão ela ouviu a voz do marido na porta de casa: "Querida, voltei!"
Pedrinho correu para os braços do pai que o acolheu e confirmou o elo da intuição que unia os dois.
- "Eu sempre soube, papai, que você voltaria"...
Tema: Canto de espera