


- “Lúcia, Lúcia, corre aqui, venha ver o ‘quadro’!”
- “Que quadro, Mari? Agora você deu para gostar de arte?”
- “Nada disso, mulher! Quadro é modo de dizer.”
Por uma fresta da porta, as duas serviçais observavam a família Souza reunida em volta da mesa, almoçando em silêncio. A única coisa que se destacava eram os celulares ao lado dos pratos. Com uma das mãos, todos seguravam o talher, enquanto, com a outra, dedilhavam aceleradamente o celular. Sorrisinho nos cantos dos lábios, olhos na tela e “boca de siri”, sem nenhum piu.
- “Que absurdo.”, disse Lúcia.
- “Que mau exemplo para as crianças.”, comentava Mari.
- “E se a gente quebrasse esse silêncio?”
- “De que jeito?”
Foi então que Lúcia respondeu com uma ação espontânea.
Pegou um prato e o deixou cair no chão da cozinha, causando o maior estrondo.
Em segundos, todos correram para ver o que havia acontecido. De olhos arregalados, esperavam uma explicação.
Nisso, Lúcia, bem tranquila, batendo uma mão na outra, como quem tira areia de entre os dedos, disse:
- “Pronto! Agora vocês podem continuar o ‘almoço silencioso!’”
Tema: Almoço silencioso.