


Dona Maria acordou assustada com um forte barulho no meio da madrugada. Tratou de levantar com cuidado, sem se dar ao trabalho de acordar o marido. Foi andando pé ante pé até a cozinha, pois era de lá que vinha o barulho. Qual não foi seu espanto ao se deparar no meio da escuridão com a porta da geladeira aberta iluminando parte da cozinha. Debruçado sobre as prateleiras, estava seu filho Bolão - daí o apelido dele - assaltando as guloseimas.
- "Carlinhos! Você não toma jeito mesmo, né menino? Depois se queixa quando te chamam pelo apelido."
- "Eu estava com fome". - Justificou o menino.
- "Impossível! Jantou muito bem que eu vi."
Naquela manhã a mãe foi acordar o filho mas Carlinhos não estava na cama. Saiu para o colégio sem tomar café. Dona Maria ficou preocupada. Comer demais faz mal mas não comer é muito pior. Foi até o colégio para se certificar se ele estava lá. Na hora do recreio, a mãe deixou um lanche pago e junto um bilhetinho: "Filho, comer demais é gulodice, mas não comer provoca danos. Vamos combinar o meio termo: nem tanto, nem tão pouco. A gula é pecado."
Calinhos comeu o lanche e absorveu a palavras da mãe mas não totalmente conformado. Ficou matutando com seus "botões" as palavras do padre Olavo sobre os pecados capitais. Afinal, a gula lhe parecia o pecado mais brando. Dizem até que os padres vivem cometendo esse pecado quando convidados para almoçar na casa dos fiéis. Passou a analisar: "não sou invejoso, não tenho preguiça, não sou raivoso e nem 'pão duro', luxúria ainda nem chego perto e soberba nem tenho mania de ser melhor que os outros. Logo, chego a conclusão que comer um pouco mais, até que é brando. Vou discutir esses pontos com a mamãe. Tenho a certeza que chegaremos a um contento!".
Tema: Pecado