Já faz um bom tempo que a pandemia foi embora e a impressão que deixou é que foi há séculos. Sempre andei de ônibus, mas com a insegurança plantada na ocasião da Covid-19, fiquei temerosa. Lembro-me que a espera do coletivo me deu oportunidade de conversar com algumas pessoas que me inspiravam confiança. Acumulei algumas histórias e experiências - nem sempre agradáveis. Agora trazendo essas lembranças à tona, percebo que os anos que nos separam do início da pandemia estão bem longe, e sinto, com a idade avançando, que esse meio de transporte vai ficando para trás - pelo menos para mim.
Enquanto esperava o ônibus chegar, ficava observando os semblantes das pessoas passando. Algumas traziam marcas de preocupação, outras um olhar absorto. Muitas vezes correspondi com um sorriso à preocupação estampada de alguma senhora que parecia carregar uma carga maior do que podia aguentar. O vaivém das pessoas, nada mais é do que a vida em movimento. Na rua, no meio da multidão não é fácil imaginar o que se passa na cabeça de cada um. Nesta hora o melhor é desfrutar da brisa e do canto dos pássaros que ainda nos presenteiam com seus "pius" bem no meio da metrópole agitada.
Tema: Ponto de ônibus.