Não importa quantos anos tenham passado - 5, 10, 30 - as lembranças vinham à tona como se fossem agora o momento vivido. Nas lembranças, o lado bom é que se podia escolher os melhores momentos, excluindo a parte ruim. Era assim que Joana conseguia amenizar sua saudade e trazia para o presente as histórias do marido, aos netos que não tiveram a sorte de conhecê-lo.
- "Vovó, conta mais o que o vovô gostava de fazer".
E assim Joana conseguia fazer o esposo amado fazer parte da vida que ela levava agora. Na mesa posta, se via quitutes de dar água na boca. E lá estavam mais alguns pontos a destacar. O paladar e o olfato também ativam a memória .
- "Hummmm que cheirinho de churrasco! Me faz lembrar do vovô, um autêntico churrasqueiro!"
Nas rodas de conversas da família lá estavam uma citação ou uma piada daquelas que sobrevivem anos a fio.
- "Lembra do dia que o vovô pôs um pregador de roupa no 'bico' que o pai dele fazia quando dormia? Ha Ha Ha!".
- "Vovô era peralta, fazia o pai dele sair correndo com o chinelo na mão para acertá-lo. No fim tudo acabava em risadas".
E assim essas passagens alimentavam a falta que ele fazia. Um caso aqui, outro lá e de pedaço em pedaço conseguia fazer um todo.
- "Vovó, não sei explicar, mas sinto a presença do vovô aqui bem ao lado da nossa roda de conversa, será possível?"
- "Tudo é possível minha querida, quando juntamos a saudade com pequenos fragmentos da nossa memória. O resultado é uma paz de espírito indescritível!"
- "Lembra daquele dia?"
E lá vinha mais uma passagem registrada...
Tema: Fragmentos da memória